SE VOCÊ SÓ TEM 30 SEGUNDOS || DIRETO AO PONTO
→ O valor de um solução de assistente de IA não está apenas nos modelos de LLM que ela utiliza, mas nas funcionalidades construídas ao redor desses modelos. E ninguém entendeu isso melhor que a Anthropic nos últimos meses.
→ O Claude Cowork é a resposta da Anthropic para levar o valor do Claude Code ao profissional não-técnico e às tarefas d dia-a-dia: um agente autônomo que trabalha no seu desktop, organiza arquivos, executa tarefas e se conecta com diversas ferramentas externas.
→ As Skills transformam o Claude num especialista sob demanda. São pacotes de instruções que o Claude carrega dinamicamente para criar documentos Word, planilhas Excel, apresentações PowerPoint, PDFs, frontends e muito mais. E nós podemos criar as nossas.
→ O MCP (Model Context Protocol) foi criado pela Anthropic, doado para a Linux Foundation e já é padrão de mercado com milhares de servidores públicos ativos. Na prática, funciona como um conector universal que conecta Agentes de IA a ferramentas externas.
→ Enquanto isso: Projects e Artifacts ficaram disponíveis na versão gratuita do Claude, a janela de contexto de 1M de tokens agora tem preço flat (sem sobretaxa), e até a Microsoft anunciou o “Copilot Cowork” construído sobre a tecnologia do Claude.
Olá!
Já faz tempo que, quando me perguntam sobre ChatGPT, Claude, Gemini e outros, sempre explico que muito do valor das aplicações que são “assinadas” não está apenas nos modelos e sim em funcionalidades que são construídas no app e utilizadas antes ou depois da atuação dos LLMs.
Nesse mundo da IA Generativa, quem chegou primeiro e acabou dominando uma boa fatia do mercado foi a OpenAI com o ChatGPT. Porém, no final de 2025 o Google conseguiu fazer um catch up tecnológico bem interessante quando lançou o Gemini 3 (Flash e Pro). Mas o grande salto vem acontecendo com as inovações entregues pela Anthropic no Claude.
Depois de lançarem os conceitos de Artefatos, Projetos e do grande sucesso do Claude Code (isso é tema pra outro dia) entre os desenvolvedores, a pergunta que a Anthropic resolveu se fazer foi: “Como podemos entregar para quem não é desenvolvedor o mesmo valor que entregamos com o Claude Code para quem é?”
Foi assim que nasceu o Claude Cowork e, honestamente, acho que eles se superaram. E ainda complementaram esse lançamento com as Skills e as integrações externas.
Vou explicar cada um.
1. Cowork: o agente que trabalha no seu desktop
Se o Claude Code foi uma grande transformação na vida dos desenvolvedores, o Cowork é a versão dessa revolução para todo mundo.
A ideia é simples: em vez de copiar e colar arquivos para dentro do chat, você dá ao Claude acesso a pastas específicas do seu computador e descreve o que precisa. Ele planeja, decompõe a tarefa, e executa — movendo, renomeando, organizando, extraindo, convertendo e criando arquivos de forma autônoma.
Na prática, funciona assim: no Claude Desktop, você alterna para a aba Cowork, seleciona as pastas que ele pode acessar, descreve a tarefa, e ele faz. Pode coordenar múltiplos sub-agentes em paralelo e até agendar tarefas recorrentes (diárias, semanais ou mensais).
O que se torna possível no dia a dia:
Organizar pastas bagunçadas com diversos arquivos, movendo e renomeando
Extrair dados de imagens de recibos e gerar planilhas formatadas
Analisar múltiplos documentos e consolidar as descobertas em um relatório estruturado
Entender os detalhes de um projeto usando informações em arquivos diversos
Converter anotações espalhadas em documentos prontos para compartilhar
Encontrar padrões comuns em diferentes documentos e/ou conteúdos
Tudo roda dentro de uma máquina virtual isolada, o que significa que o Claude não tem acesso irrestrito ao seu sistema. Além disso, ele pede permissão antes de deletar qualquer coisa, mas costumo dar a instrução explicita pra ele não deletar nada e me apontar num relatório os arquivos que são candidatos a deleção com as justificativas.
O impacto no mercado foi grande
O lançamento do Cowork em janeiro de 2026 provocou uma queda de 15% a 20% no valor de mercado de algumas empresas de software em um único dia. O mercado entendeu o recado: se um agente autônomo pode fazer em minutos o que algumas soluções SaaS cobram mensalidade para fazer, a proposta de valor de muita empresa muda radicalmente.
Até a Microsoft prestou atenção
Em 9 de março de 2026, a Microsoft anunciou o Copilot Cowork. Construído sobre a tecnologia do Claude e que vai fazer parte do pacote M365 E7 a US$ 99/usuário/mês, com lançamento previsto para maio.
Isso é enorme. A Anthropic criou algo tão relevante que a Microsoft decidiu construir em cima, em vez de competir.
Ainda é “Research Preview”, mas o que isso significa?
O Cowork ainda está em research preview. A Anthropic é transparente sobre suas limitações, incluindo vulnerabilidades de prompt injection em documentos. Isso significa que um documento com instruções maliciosas ocultas pode, em tese, manipular o agente. Além disso, a atividade do Cowork ainda não aparece nos Audit Logs ou na Compliance API, o que limita seu uso em alguns cenários.
Na prática, o que isso significa?
Devemos usar com consciência. Para tarefas do dia a dia é fantástico. Para dados sensíveis em ambientes de compliance rigoroso, vale a pena esperar que essas limitações sejam sanadas.
Obs: Hoje o Cowork está disponível em macOS (M1+) e Windows. Ainda não funciona na web, mobile, ou Macs com Intel e exige ao menos uma assinatura do plano Pro (USD 20 / mês).
2. Skills: o Claude que vira especialista sob demanda
Essa foi a segunda peça do grande salto.
Skills são pacotes de instruções, scripts e templates que o Claude carrega dinamicamente quando identifica que uma tarefa precisa de conhecimento especializado. Pense nelas como “manuais de expertise” que transformam o Claude num profissional específico para cada tipo de trabalho.
A mecânica é elegante. Cada Skill é uma pasta com um arquivo SKILL.md obrigatório contendo instruções em markdown. O Claude usa um sistema de carregamento progressivo em três níveis: primeiro lê só os metadados (leve, não consome contexto), depois lê as instruções completas quando identifica relevância, e por último carrega scripts e templates sob demanda.
O que já vem pronto?
A Anthropic entrega Skills prontas para criar documentos Word (.docx), planilhas Excel (.xlsx), apresentações PowerPoint (.pptx), arquivos PDF e até interfaces frontend com qualidade profissional. A Skill de frontend design sozinha já acumula mais de 277 mil instalações.
Em dezembro de 2025, lançaram o Skills Directory, um marketplace com Skills criadas por parceiros como Notion, Figma, Atlassian, Canva e Box. A Anthropic também publicou as Skills como padrão aberto no agentskills.io, e hoje o formato é adotado pelo Cursor, GitHub Copilot, Windsurf, Gemini CLI, OpenAI Codex e mais de 18 agentes de IA.
O ecossistema já tem mais de 349 Skills em 12 categorias.
Crie as suas
Essa é a parte que eu acho mais poderosa. Você pode criar Skills customizadas de quatro formas:
Skill Creator (lançado em fevereiro 2026) — uma conversa interativa dentro do Claude que te guia na construção
Manual — escreva o SKILL.md, adicione scripts e templates, faça upload como ZIP
Via Claude Code — coloque na pasta ~/.claude/skills/
Via API — endpoint /v1/skills para automação
Para empresas, administradores podem provisionar Skills organizacionais que ficam disponíveis automaticamente para todo o time — sem que cada pessoa precise configurar nada.
Na prática
Quando eu peço ao Claude “cria uma apresentação sobre X”, ele automaticamente identifica que precisa da Skill de PPTX, carrega as instruções, e gera um arquivo profissional com layout, hierarquia visual e formatação consistente. Sem eu precisar explicar como formatar um slide.
A mesma lógica vale para relatórios em Word, análises em Excel, PDFs formatados e componentes web. O Claude lê o “manual” antes de executar e entrega um resultado muito superior ao que entregaria sem a Skill.
Skills estão disponíveis em todos os planos, incluindo o gratuito — desde que a execução de código esteja habilitada.
3. Integrações Externas: o MCP como conector universal
Se o Cowork é o agente e as Skills são a expertise, o MCP (Model Context Protocol) é a infraestrutura que conecta tudo.
O MCP é um protocolo aberto que funciona como um conector universal entre aplicações de IA e ferramentas externas. Uma interface padronizada que qualquer ferramenta pode implementar para se conectar ao Claude (e a outros agentes).
O que mudou desde que eu comecei a acompanhar
Em dezembro de 2025, a Anthropic doou o MCP para a Agentic AI Foundation, sob a Linux Foundation, com OpenAI, Google, Microsoft, AWS e Cloudflare como membros. Isso sinalizou algo importante: o MCP deixou de ser “coisa da Anthropic” e virou padrão de mercado.
Hoje, o ecossistema tem:
Mais de 10.000 servidores MCP públicos ativos
97 milhões de downloads mensais dos SDKs (Python e TypeScript)
SDKs em todas as principais linguagens (Python, TypeScript, Java, Kotlin, C#)
Integração nativa com Gmail, Google Calendar, Google Drive, Slack, Atlassian, GitHub, Salesforce, Notion, Asana, Linear, Figma e dezenas mais
MCP Apps: a grande novidade
Em janeiro de 2026, o MCP ganhou sua primeira extensão oficial: MCP Apps. Em vez de retornar apenas texto, ferramentas MCP agora podem entregar interfaces interativas — dashboards, formulários, gráficos, canvas de design — renderizadas como iframes dentro da conversa com o Claude.
Na prática, isso significa que você pode estar conversando com o Claude, pedir para ver seu pipeline no Salesforce, e uma interface interativa do Salesforce aparece dentro do chat. Sem trocar de aba. Sem copiar e colar dados.
Conectores one-click no Claude.ai
No lado mais prático, o Claude.ai agora oferece conectores nativos que se ativam com um clique em Settings → Integrations. Os principais disponíveis hoje: Atlassian (Jira + Confluence), Gmail, Google Calendar, Google Drive, Slack e Canva. São baseados em servidores MCP remotos e funcionam nos planos Pro, Max, Team e Enterprise.
A diferença para os plugins do ChatGPT (que foram descontinuados e substituídos por GPT Actions)? O MCP roda localmente quando necessário, mantém sessões persistentes em vez de chamadas stateless, e não te prende a uma plataforma. É um padrão aberto. Se amanhã você quiser trocar o Claude por outro agente, seus conectores MCP continuam funcionando.
4. O que mais mudou (e importa)
Enquanto o grande salto acontecia com Cowork, Skills e integrações, a Anthropic entregou mais algumas mudanças que vale destacar:
Projects e Artifacts ficaram gratuitos para todos — desde 11 de março, qualquer pessoa pode criar até 5 projetos com instruções customizadas e gerar artifacts (código, documentos, componentes React, visualizações) mesmo no plano Free. Para quem paga, projetos são ilimitados.
Janela de contexto de 1M tokens sem sobretaxa — a partir de 13 de março, usar 900 mil tokens custa o mesmo por token que usar 9 mil. OpenAI e Google ainda cobram 2-3x a mais acima de 200K tokens. O Claude é o único (atualmente) com preço flat na janela completa.
Memory para todos — desde 2 de março, o Claude memoriza preferências e contexto entre conversas em todos os planos, incluindo o gratuito. E dá para importar memórias do ChatGPT e do Gemini.
Gráficos interativos no chat — desde 12 de março (beta), o Claude gera gráficos, diagramas e visualizações interativas diretamente na conversa — sem precisar criar um Artifact separado.
Modelos — Opus 4.6 e Sonnet 4.6 continuam como os modelos da família atual. Sonnet 4.6 é preferido por 70% dos usuários em relação ao Sonnet 4.5 e por 59% em relação ao Opus 4.5. Ambos com janela de 1M tokens agora em GA.
5. O que isso significa na prática
A verdade é que a Anthropic entendeu algo fundamental: o modelo está virando commodity, a plataforma é o diferencial.
Enquanto a corrida dos benchmarks continua (e o Claude lidera em coding e produtividade), o que realmente separa o Claude dos concorrentes hoje não é o modelo, mas sim o ecossistema que foi construído ao redor dele.
O Cowork transforma o Claude num assistente que executa tarefas no seu computador, não apenas da sugestões. As Skills garantem que ele faz com qualidade profissional, não genérica. E o MCP garante que ele se conecta ao seu stack de ferramentas, em vez de viver isolado numa janela de chat.
Isso é um salto conceitual importante. A maioria das pessoas ainda usa IA Generativa como um super chat. Pergunta, resposta, próxima pergunta… e funciona. Mas é como usar um smartphone top de linha só pra fazer ligações.
O que a Anthropic construiu nos últimos meses não é “mais um chatbot que ficou melhor”. É uma plataforma de trabalho.
Ferramenta não é solução. Chatbot não é plataforma. Benchmark não é valor. O grande salto do Claude não é ser mais inteligente. É ser mais útil.
IA que Funciona.
Estratégia e execução, com governança e ROI.
VALE A PENA CONFERIR
Uma curadoria de notícias, novidades e outros links pra ficar por dentro do que anda acontecendo pelo mundo, relacionado aos temas da IA que Funciona.
Introducing Cowork → Overview completo do Cowork com exemplos de uso e limitações
Introducing Agent Skills → O blog post oficial da Anthropic explicando o conceito de Skills e como criá-las
Claude 101 e AI Fluency: Framework & Foundations → excelentes cursos da Anthropic sobre sua ferramenta de IA e a interação humano x IA
Donating the MCP and establishing the Agentic AI Foundation → A doação do MCP para a Linux Foundation
Complete Guide to Claude Cowork → Um guia completo para aprender sobre o Cowork vivenciando e praticando com ele

